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A primavera da lagarta

Contar a história:
A primavera da lagarta: Ruth Rocha


Utilizar figuras das personagens e um painel. Ex:



_Grande comício na floresta! Bem no meio da clareira, debaixo da bananeira!
 Dona formiga convocou a reunião. _Isso não pode continuar!
_Não pode não! Apoiava o camaleão.
_É um desaforo. A formiga gritava. _É um desaforo!
_É mesmo. O camaleão concordava.
A joaninha que vinha chegando naquele instante perguntava: Qual é o desaforo, hein?
_É um desaforo o que a lagarta faz!
_Come tudo o que é folha! Reclamava o Louva-a-deus.
_Não há comida que chegue!
A lagartixa não concordava: _Por isso não que as senhoras formigas também comem.
_É isso mesmo! Apoiou o camaleão que vivia mudando de opinião.
_É muito diferente, depois a lagarta é uma grande preguiçosa, vive lagarteando por aí.
_Vai ver que a lagartixa é parente da lagarta. Disse o camaleão que já tinha mudado de opinião.
_Parente não! Falou a lagartixa. _É só uma coincidência de nome!
_Então não se meta!
_Abaixo a lagarta! Disse o gafanhoto. _Vamos acabar com ela!
_Vamos sim! Gritou a libélula. Ela é muito feia!
O Senhor Caracol ainda quis fazer um discurso: _É, minhas senhoras e meus senhores, como é para o bem geral e para a felicidade nacional, em meu nome e em nome de todo mundo interessado, como diria o conselheiro Furtado, quero deixar consignado que está tudo errado. Mas como o caracol era muito enrolado, ninguém prestava atenção no coitado.
Já estavam todos se preparando para caçar a lagarta.
_Abaixo a feiúra! Gritava aranha como se ela fosse muito bonita.
_Morra comilona! Exclamava o Louva-a-deus como se ele não fosse comilão também.
_Vamos acabar com a preguiçosa! Berrava a cigarra esquecendo a sua fama de boa vida.
E lá se foram eles, cantando e marchando:
_Um, dois, feijão com arroz, três, quatro, feijão no prato.
_Um, dois, feijão com arroz, três, quatro, feijão no prato.
Mas, a primavera havia chegado, por toda a parte havia flores na floresta, até parecia festa. Os passarinhos cantavam e as borboletas, quantas borboletas de todas as cores, de todos os tamanhos borboletearam pela mata. E os caçadores procuravam pela lagarta:
_Um, dois, feijão com arroz, três, quatro, feijão no prato.
_Um, dois, feijão com arroz, três, quatro, feijão no prato.
E perguntavam para as borboletas que passavam:
_Vocês viram a lagarta que morava na amoreira? Aquela preguiçosa, comilona, horrorosa.
As borboletas riam, riam, iam passando e nem respondiam. Até que veio chegando uma linda borboleta.
_Estão procurando a lagarta da amoreira?
_Estamos sim. Aquela horrorosa, comilona.
E a borboleta bateu as asas e falou:
_Pois, sou eu.
_Não é possível! Não pode ser verdade! Você é linda!
E a borboleta sorrindo explicou:
_Toda lagarta tem seu dia de borboleta, é só esperar pela primavera.
_Não é possível, só acredito vendo!
_Venha ver! Isso acontece com todas as lagartas. Eu tenho uma irmã que está acabando de virar borboleta.
Todos correram para ver. E ficaram quietinhos espiando. E a lagarta foi se transformando, se transformando até que de dentro do casulo nasceu uma borboleta.
Os inimigos da lagarta ficaram admirados
_É um milagre!
_Bem que eu falei. Disse o camaleão que já tinha mudado de opinião.
E a borboleta falou: _É preciso ter paciência com as lagartas se quisermos conhecer as borboletas


Atividade: 

Desenhar uma linda borboleta!!!

O sonho de Tartula

Hoje contarei a história O sonho de Tartula -  Mariluz Valadão
(utilizar fantoche, ou teatrinho, para contar a história. Eu dei as personagens coladas em cartolina com adesivo atrás e o painel da natureza como fundo. A medida que eu contava a história as crianças movimentavam as personagens)

Era uma vez uma linda mata, habitada por alguns pequenos bichos, pássaros miúdos, algumas velhas corujas e ...Ah! Sim. Também a Tartula, uma pequena tartaruga.
Os bichos eram alegres e brincalhões e viviam a correr e a brincar. A certa distância, havia uma lagoa que era separada da mata por uma grande faixa de areia macia e amarelada, formando uma enorme praia. 

Nos dias de calor, iam todos á lagoa tomar banho e, depois, estiravam-se na areia, ao sol morno da manhã. Bem, nem todos. A Tartula não. Era muito vagarosa e não conseguia acompanhar os outros. por isso vivia só e ... triste.
Os bichos achavam a tartaruga, por ser assim tão lerda, atrapalhava as brincadeiras. Mas o que mais incomodava a bicharada era um Gavião, que morava bem no alto de um jatobá, logo ali na entrada da mata. Costumava-se esconde-se lá até que os bichinhos saíam a brincar pela mata. (...)


Quem sofria era a Tartula, que não podia correr. O Gavião gostava-lhe de bicar-lhe a cauda, sempre que a pegava distraída mas ela se defendia escondendo-se em sua casca. Então o Gavião subia em suas costas e punha a pular, pular, até se cansar.
Num desses dias quentes, quando os bichinhos se preparavam para ir á lagoa para o banho matinal e tagarelavam alegremente sobre as brincadeiras que lá fariam, uma voz fininha se fez ouvir. Era a Tartula perguntando onde iam todos. Sabendo que ela queria acompanhá-los eles disseram que não iam a lugar algum. Tartula insistiu dizendo que sabia; eles iam á lagoa e queria ir também. Mas o Gambá tomou a palavra e tentou explicar: - Você anda muito devagar e vai ficar pra trás.


E o macaco disse também: - Da última vez que a levamos conosco, você andou tão devagar que, quando chegamos lá o sol já tinha ido dormir.
Nada adiantou a Tartula dizer que dessa vez iria depressa. O Coelho foi falando: -Não! Isso você diz sempre!Mas com essa casca pesada, até um caracol anda mais depressa que você!!! Tchau! Vá dormir com sua casca!
Dizendo isso, os bichos puseram-se a caminho. E Tartula muito triste, olhava-os com os olhos cheios de lágrimas. Quando eles desapareceram, ela se arrastou para dentro de um velho buraco de tatu e pôs-se a chorar:
-Hóóóóó! Como sou infeliz. Não consigo nem brincar com meus amigos. Também, eu sou tão vagarosa! Hóóóóó... como a natureza foi tão ingrata comigo, dando-me esse trambolho de casca!Se não tivesse que carregar essa "droga", poderia correr e brincar com os outros bichinhos, e não estaria assim tão sozinha... Não sei porque Deus, o meu Papai do Céu, me fez assim. Podia bem ter-me feito diferente... Aí , sim... eu poderia ser feliz e viveria muito contente.
E assim, sem conseguir entender o porquê de sua casa, chorou... chorou... chorou... até adormecer. De repente, pareceu-lhe que estava diferente!!! Ora vejam só! Sentia-se mais leve! E um friozinho também. Realmente era uma sensação muito diferente.
-Engraçado, que há comigo? Tartula abriu os olhos e ... Estava sem casca!!! Fechou os olhos de novo. - Não acredito! - pensou. Abriu os olhos - Ora essa! Estou sem casca!!! Ao seu lado estava a casca vazia! - É verdade!!! É verdade!!! Exclamou maravilhada.

Era inacreditável! Que teria acontecido?Tartula sentou-se sobre a casca vazia, a fim de pensar sobre o acontecimento. Mestre Coruja que é muito sábio, havia lhe falado sobre o Papai do Céu: 
"Ele fez o mundo e criou todas as coisas. E fez tudo muito bem feito!"
Porém, pensou Tartula,aquela casca não fora bem feita, só a atrapalhava.- Sim! Deve ser isso mesmo. O Criador reconheceu que minha casca não servia para nada. Fiquei muito melhor assim!
Bem, agora Tartula tinha que mostrar aos outros bichinhos sua nova aparência. - Vou á lagoa! A turma vai ficar assombrada! E saiu correndo. Atravessou a mata, e, num instante, já se encontrava a poucos passos da lagoa.
- Hei turma!!!Olhem! Eu estou aqui!!!  Os bichinhos olharam. V-V-V-Vejam!!! Gaguejou o Coelho.
Tartula ficara muito diferente sem a casca, e os bichinhos não a reconheceram.
- Céus! O que é aquilo? gritou o Macaco.
- É um marciano!!!
- Vem em nossa direção! Corram!!!
- Aii!!! Vamos embora! Fujam!
- Sou eu! A Tartula! - gritou a tartaruga. Mas os bichinhos já estavam longe, correndo a bom correr, assustados com aquela "visão" esquisita, pois nunca tinham visto uma "coisa" como aquela!
-Oh!Vão todos embora! pensou a tartaruga desapontada. O sol estava morno e Tartula  estirou-se na areia macia. Ajeitou os óculos escuros e disse para si: - Não faz mal! Ficarei com a praia só pra mim. Que calorzinho gostoso! Como é bom poder-me estirar-me assim, ao sol, fora daquela casca grossa!

Fechou os olhos e cochilou na areia morna. As horas foram passando e o sol foi ficando grandão, vermelho, abrasador!!!Seu corpo ardia, horrivelmente pois estava sem proteção sem a proteção da casca, o sol queimara-lhe a pele fina. Sentou-se na areia quente e olhou-se: estava " vermelhinha da silva"! Ficou horrorizada!!!

-Como  estou queimada de sol! Preciso achar logo uma sombra, senão morro assada!
Tartula lembrou-se que lá na mata , àquela hora estava fresquinha. Teria que chegar até lá senão seria seu fim!
Desesperada pôs-se a arrastar-se pois a areia afundava seus pés, dificultando-lhe a caminhada.E o sol, ah! Tornava-se cada vez maior e mais quente, parecendo persegui-la com seus raios, a castigar-lhe a pele já queimada.
-Ah, que bom seria se eu estivesse na minha casquinha! Bastava que me recolhesse para dentro dela e pronto! Nem todo esse sol poderia fazer-me mal! Como era fresquinha e agradável, a minha casquinha!

Pela primeira vez, então, a Tartula começou a compreender a importância de sua casca. E a noite chegou, uma lua grande e brilhante substituiu o sol.
-Ainda bem que estou chegando! Já estou vendo a árvore onde mora o Gavião. Lá está ele em seu galho favorito. Tomara que ele esteja dormindo!
A pobrezinha tremia de frio e de medo. Se o Gavião a visse, estaria perdida, sem a casca!!!


Ia passando debaixo do nariz do Gavião, quando este, abrindo o olho, perguntou-lhe:- onde vai a esta hora? Tartula não respondeu. 
- Ah! Deve ser uma salsicha ambulante: com mostarda e pão, você vai bem!! exclamou o Gavião. -Venha cá; acho que vou comê-la...
A pobre Tartula começou a correr pela mata.
O Gavião alçou vôo  e rapidamente a alcançou.
-Pare!!! gritou. - Não adianta correr, que eu te pego mesmo!
 Tartula correu mais ainda. Quase não aguentava mais! O Gavião atirou-se sobre ela e, prendendo-a com suas garras possantes, elevou-se ao ar novamente.
-Ah! Que petisco! Disse o Gavião. Vou carregá-la para o meu ninho e fazer com você um belo sanduíche! Sim senhor! Que belo sanduíche!!!
Tartula a essa altura, berrava, berrava, berrava...
...até que acordou, com seus próprios berros!!! Ela se encontrava em sua casca, no mesmo lugar, dentro da velha toca de tatu, onde se escondera para chorar!!! Tartula compreendeu tudo, então! Adormecera e sonhara tudo aquilo. Ou melhor: tivera um pesadelo. E que pesadelo!
-Ah! Que alívio! Como é bom estar na minha casquinha! Como eu gosto dela! Esse sonho ensinou-me uma lição. Mestre Coruja é quem estava certo!
O Criador sabe o que faz... 
Se ele me deu esta casca, é porque eu não poderia mesmo viver sem ela. Como eu Lhe agradeço por tê-la, agora que sei para que serve!!!

Sugestão de Atividade:
Fazer os personagens da história:

Tartaruga Tartulaa
Gavião




De volta ao trabalho

 E aí meninada descansaram muito? Aproveitaram bem suas férias? Passearam, brincaram, dormiram? Espero que tenham tido um bom descanso das aulas da escola e que os adultos também tenham aproveitado bastante o descanso do trabalho.
























Agora é hora de recomeçar...
Para início de conversa, vamos conhecer as crianças com quem iremos desenvolver nossas atividades.

Dinâmica do nome

Em círculo todo mundo. O primeiro vai dizer o seu nome e a cor que mais gosta. O segundo vai falar assim: "o nome dele é..., a cor que mais gosta é... e meu nome é... e a cor que eu mais gosto é..."
E assim por diante.
(Obs.: Se a turma for de crianças acima de 8 anos poderá acumular os nomes e as cores - o último deverá falar o nome e a cor de todos! Mas se for a maioria menor de 8 ou for mista, fala-se só o nome e a cor preferida do colega da direita e o próprio).

Depois vamos nos desenhar. Mesmo quem não sabe desenhar - o importante é tentar fazer seu auto retrato.
exemplo
Observar os desenhos e perguntar o que cada um acha de mais bonito em si (característica física) e qual a maior qualidade. E qual é o maior defeito (que ele acha).
Comentar que todos nós temos qualidades e defeitos. Para nos conhecermos devemos descobrir quais são os nossos defeitos e qualidades. Ao longo de nossa vida vamos descobrindo e procurando melhorar.
Joanna de Ângelis, mentora de Divaldo Pereira Franco incentiva a busca do auto conhecimento.
Também é defensora da evangelização para aprimoramento dos espíritos encarnados


Para finalizar lembrar ás crianças que todos temos nossas diferenças. Por isso ninguém é melhor que ninguém. Ensinar a seguinte música: Ninguém é igual á ninguém


Música do cd Olha só quem vem por aí. Projeto feito com os alunos da escola Stagium

     Veja o vídeo da música!


 Não queira ser aquilo que o outro é, não 
queira ser aquilo que o outro é
Nem que o outro seja, ora veja tudo aquilo 
que você quer
Ninguém é igual a ninguém, ainda bem, 
ainda bem
A gente mesmo se inverte no espelho, o que 
reflete exatamente esse conselho
Não queira ser aquilo que o outro é, não 
queira ser aquilo que o outro é
Nem que o outro seja, ora veja tudo aquilo 
que você quer
Tem gente triste que anda mal humorada, só 
vive resmungando sem dar uma risada
Tem a nervosa que está sempre irritada
Briga por qualquer coisinha deixa a gente 
chateada
E a corajosa que enfrenta coisas novas, 
fazendo a vida ficar menos dolorosa
Ninguém é igual a ninguém, ainda bem, 
ainda bem
Negro, branco, pardo ou amarelo, alto, baixo, 
gordo ou magricelo
Moreno, loiro, careca ou cabeludo, 
deficiente, cego, surdo ou mudo
Em tudo tem diferença     desde nascença,     
 no que a gente é, no que a gente faz,
No que a gente pensa, todos tem diferença    
 desde nascença
A gente é o que é, a gente é demais, a lista 
é imensa...viva a diferença 

Somos todos diferentes


Perguntar ás crianças: qual dessas frases está correta?

SOMOS TODOS IGUAIS
SOMOS TODOS DIFERENTES

Deixar que elas comentem e exponham suas opiniões. 

Como vocês já disseram, somos diferentes. Temos cores diferentes, cabelos diferentes, tamanhos diferentes, gostos diferentes, religiões diferentes, culturas diferentes. Isso é bom ou ruim?

Esperar elas opinarem.

Isso é bom!!! Se todos nós fôssemos iguais não seríamos humanos e sim robôs ou bonecos! Nós temos que gostar de nossas diferenças e aprender a mostrar as qualidades de nossas diferenças. Ouçam o poema Diversidade:


Viu? Bom mesmo é sermos amigos pois se um fala pouco, outro fala muito.
Se um é ótimo em matemática, outro faz desenhos lindíssimos.
Um baixinho tem um amigo alto que alcança a bola em cima do muro.
Esse amigo alto tem o privilégio de ter um amigo baixinho
 que pega -facilmente- a borracha que correu pra debaixo da cadeira.
Assim aprendemos a tirar o melhor proveito de nossas diferenças.


Uma coisa importante: precisamos ficar atentos ás necessidades dos outros para sempre que possível ajudarmos.  Me ajudem a completar as necessidades dos amiguinhos nas ilustrações:

O que um coleguinha que tem cadeiras de rodas precisa?
- acessibilidade : rampa de acesso aos lugares e nas calçadas. Menos buracos nas ruas. Rampas de acesso aos ônibus. Adaptações em banheiros, etc.
E um coleguinha cego?
- Cartazes com braile,
- Nas faixas de pedestres ter um dispositivo com áudio para avisá-los a hora certa de atravessar.
- relevo nas entradas e saídas dos estabelecimentos, etc.

Com todas as diferenças devemos ter carinho, cuidado e paciência. Muitas vezes os coleguinhas não tem a mesma agilidade ao se locomover, ao falar, ao pensar mas poderão nos mostrar que tem muito amor no coração e muita coisa para nos ensinar.



Vamos ficar atentos para ajudar nossos amiguinhos. Se perceberem que na escola, na rua, ou em lojas nossos amiguinhos poderão ter dificuldades, vamos avisar aos responsáveis pelo local certo? Todos nós podemos nos ajudar!

Vou contar pra vocês a história de um menino que convive bem com as diferenças. Seu nome é Danilo. A história é Ninguém é igual a ninguém.



Vamos colorir?


Dicas de livros para se trabalhar o tema diferenças:













o pato e a coruja

Um assunto sempre importante para ser tratado com as crianças em qualquer momento da vida, é o respeito ás diferenças.Sempre esbarramos em ocasiões cujas crianças se estranham pelas suas características pessoais diferentes.Devemos esclarecer desde cedo, que são apenas diferenças e que ao invés de criticar ou julgar, poderemos até aprender .

Contar a seguinte história

O pato e a coruja


Era uma vez uma bétula que se erguia no meio de um prado.

Mesmo à beirinha do prado cintilava um charco onde um pato nadava em círculo, mergulhando o bico de vez em quando.

O pato subiu para terra, sacudiu-se e olhou para o cimo da árvore.

Após ter olhado algum tempo, gritou:

— Eh, tu, aí em cima!

— Uh — resmungou uma voz lá em cima, na bétula.

— És uma coruja a sério? — pergunta o pato.

— Uh.

— Ora chega cá abaixo — gritou o pato.

— Uh — resmungou a coruja a bocejar. E esvoaçou para o chão.

— Oh! — disse o pato. — Nunca pensei que uma coruja tivesse asas tão bonitas.

— Uh — tornou a coruja, contente por o pato achar bonitas as suas asas.

— Porque é que estás sempre a dizer Uh? Não sabes dizer mais nada?

— Claro que sei — disse a coruja — mas não me apetece. Estava a dormir.

— Oh, meu Deus! — exclamou o pato. — Como é que tu consegues dormir em pleno dia? Ninguém consegue!

— Não percebo o que queres dizer — respondeu a coruja. — Durmo sempre de dia.

— Isso é esquisito — disse o pato. — De noite é que se dorme.

— Dormir de noite, dizes tu? De forma alguma! A noite é demasiado excitante para ser gasta a dormir. É quando está escuro, é quando se arregalam bem os olhos, e se espera que passe alguma coisa que se possa comer.

— Não estás boa da cabeça! — disse o pato. — A comida não passa. Tem de se nadar, mergulhar e procurar até encontrar.

— Que forma mais disparatada de comer! — murmurou a coruja.

O pato zangou-se.

— Não é nada disparatada, é o normal! — disse, furioso.

— Não estás bom da cabeça! — respondeu a coruja. — Normal é pairar às escuras no bosque sem fazer barulho. E, então, quando algum animalzinho se mexer nas folhas secas, caímos-lhe em cima rapidamente e comemo-lo.

— Que horror! — gritou o pato. — Só de pensar nisso fico logo enjoado.

— E tu, o que é que comes? — berrou a coruja, que também estava zangada. — Comes alpista para patos. Que nojo! Até fico enjoada! E como é que se consegue comer durante o dia!

O pato até assobiou de raiva.

— Fica a saber que é de dia que se come! Todos fazem isso!

— Ora, ninguém faz isso! — gritou a coruja. — Quando fica escuro é que se tem fome a sério.

— Isso é uma estupidez! — grasnou o pato — Estupidez, estupidez, estupidez!!

E ali estavam os dois no meio do prado a discutir.

A coruja abriu e fechou o bico um par de vezes como se estivesse a pensar, e depois sacudiu-se.

— Ó pato — perguntou a coruja — afinal porque é estamos a discutir? Ainda te lembras porque é que começamos?

— Claro — responde o pato. — Porque tu fazes tudo mal. É por isso…

— Não é verdade — disse a coruja. — Eu não faço nada errado. Faço é de maneira diferente, e, assim, também dá. Faço como fazem todas as corujas.

— E eu faço como fazem todos os patos. Tens razão. Não é preciso discutir por causa disso.

"Ah", pensava a coruja para si, "por sinal, até gosto do pato. Tem uma maneira esquisita de ver as coisas, mas será que, apesar disso, não podemos ser amigos?…"

— Mas que pés esquisitos tu tens! — observou a coruja.

— Não são esquisitos — responde o pato — são práticos. São para nadar.

— Para nadar, talvez sejam bons — opinou a coruja. — Quando se gosta de nadar. E, vendo melhor, até os acho bonitos.

— A sério? — sussurrou o pato.

— Anda comigo — disse a coruja de seguida— já me doem as pernas de estar aqui em baixo. Vamos pôr-nos confortáveis, em cima da bétula.

— O quê? — perguntou o pato.

— Vamos voar lá para cima — responde a coruja. — Em cima das árvores está-se melhor.

O pato nunca na vida tinha pousado numa árvore, mas se isso dava alegria à coruja, quis experimentar.

— Como queiras — respondeu.

E voaram os dois lá para cima; instalaram-se num ramo de onde podiam ver tudo em redor.

— Aqui tem-se melhores vistas — disse a coruja satisfeita.

— Bem… — murmurou o pato.

Olhava para o prado e para o charco onde o sol reluzia. Não gostou mesmo nada de pousar tão alto em cima de uma árvore. Esteve o tempo todo com medo de cair.

— Isto aqui não é bom — disse ele para a coruja. — Vamos antes nadar para o lago.

— Deves ter ficado maluco, de certeza! — gritou a coruja. — Para a água? Mas tu queres matar-me?

— Não te exaltes! — disse o pato. — Se queres, sentamo-nos então outra vez na erva. Vocês, corujas, são demasiado estúpidas para nadarem.

— E vocês, patos, são tão estúpidos que nem sabem pousar numa árvore!

— Oh, meu Deus — disse o pato. — Lá estamos nós a discutir outra vez.

— É porque tu começas sempre — retorquiu a coruja.

— Isso não é verdade — berrou o pato, furioso. — Não fui eu, tu é que começaste!

— Não, foste tu! — gritou a coruja.

— Ei, porque é que estás a gritar assim? — disse o pato.

— Eu não estou a gritar, tu é que estás! — disse a coruja.

— Não, tu é que estás!

— Oh, meu Deus! — disse a coruja. — Basta! Porque é que só sabemos discutir um com o outro?

— Porque tu fazes tudo errado.

— Eu não! — disse a coruja. — Tu é que fazes!

— Não, tu é que fazes! — disse o pato.

— Mas isso não tem importância. — disse a coruja. — Não é preciso discutir por uma coisa dessas.

O pato pensou melhor e disse:

— Também acho, não é preciso discutir por isso. Mas, olha, quem é que começa sempre?

— Eu acho que és tu.

— Não deves estar boa da cabeça — disse o pato. — Tu é que começas sempre!

— Uh — disse a coruja — às vezes começo eu e tu imitas-me em seguida.

— Eu? — gritou o pato e bateu as asas com força.

— Não faças tanto vento — disse a coruja. — Queres que eu caia daqui a baixo?

— Pronto, está bem — diz o pato. — Mas se queres que sejamos

amigos, tens de acabar com a discussão.

— Pára tu! — disse a coruja.

Então o pato começou a rir e disse:

— Basta! Além disso, estou a ficar com fome. E a fome deixa-me impaciente. Vou mas é procurar alguma coisa para comer.

— E eu estou cansada. E sempre que fico cansada, fico zangada. Agora vou mas é dormir.

O pato voou para baixo. Aterrou no lago, voltou-se, olhou para cima e gritou:

— Então adeus, coruja. Dorme bem.

— Uh — respondeu a coruja, sonolenta. — Dorme tu também, pato.

Já tinha os olhos quase a fecharem-se.

— Ah, é verdade — disse de seguida — tu não dormes. Só dormes quando fizer escuro. Bom dia para ti, pato. E até à próxima!

Hanna Johansen


Die Ente und die Eule

Zürich, Nagel & Kimche, 1988

Adaptado

*Adaptado para o português de Portugal.Para contar ás crianças, principalmente ás menores, pode-se readaptar mas para o português brasileiro.Faz-se necessário também explicar alguns conceitos como:Bromélia, prado, charco.

Contar a história utilizando fantoches.

Após a história perguntar o que entenderam.Verificar se compreenderam a lição que a história quis passar.

Atividade:

Fazer com eles fantoches para pintarem e brincar em casa.